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Gestão e meta

Composição da equipe comercial: como mapear funções, perfis e lacunas do time de vendas

Avaliar a composição do time é verificar se prospecção, fechamento, carteira e liderança têm gente suficiente e aderente a cada missão. Referência: 2,4 executivos de vendas por SDR, em média (Bridge Group, 2025).

Rafael Peretti Publicado em Atualizado em 10 min de leitura
Gestor comercial e duas vendedoras analisam um quadro com a distribuição de funções do time
ResumoAvaliar a composição do time é verificar se prospecção, fechamento, carteira e liderança têm gente suficiente e aderente a cada missão. Referência: 2,4 executivos de vendas por SDR, em média (Bridge Group, 2025).

Avaliar a composição da equipe comercial é verificar se cada missão de vendas (prospectar, fechar, cuidar da carteira e liderar) tem gente em quantidade suficiente e com perfil aderente a ela. Como referência de proporção, o relatório 2025 da Bridge Group, com 351 empresas B2B majoritariamente da América do Norte, mostra uma média de 2,4 executivos de vendas para cada SDR e 6,4 SDRs por líder (Bridge Group, 2025).

No Brasil, o ponto de partida costuma ser mais básico. Na amostra do Panorama da RD Station, só 33% das empresas têm processo de vendas estruturado e 54% dos times não usam CRM (RD Station, 2026). Sem processo e sem dados, o gestor enxerga o resultado do time, mas não sabe em qual missão está a lacuna. Um time de bons vendedores pode errar a meta se todos fizerem bem a mesma coisa.

O que é a composição da equipe comercial?#

Estrutura e composição são coisas diferentes. A estrutura é o desenho: quais funções existem, quem responde a quem, como o cliente passa de uma etapa para outra. A composição é quem ocupa cada função, em que quantidade e com que aderência ao que a função exige.

Duas empresas com o mesmo organograma podem ter composições opostas. Na primeira, os executivos de vendas gostam de abrir mercado. Na segunda, os mesmos cargos estão ocupados por pessoas que rendem mais cuidando de clientes antigos. O organograma é igual; o funil se comporta de forma diferente.

Avaliar a composição responde a quatro perguntas:

  1. Cada missão do processo comercial tem alguém responsável por ela?
  2. A capacidade de cada missão é suficiente para a meta?
  3. As pessoas em cada missão têm aderência ao que ela exige no dia a dia?
  4. O resultado depende demais de poucas pessoas?

Quais funções uma equipe comercial B2B precisa ter?#

Nem toda empresa precisa de todas as funções com pessoas dedicadas. Mas toda empresa precisa que cada missão tenha um responsável claro, mesmo que a mesma pessoa acumule duas.

FunçãoMissãoIndicador principalO que a rotina exigeSinal de lacuna no time
SDR ou pré-vendasgerar e qualificar oportunidadesreuniões qualificadas realizadasvolume, constância e tolerância a respostas negativaspoucas reuniões novas mesmo com o time completo
Executivo de vendas (closer)conduzir e fechar negóciostaxa de fechamento e receita novadiagnóstico, condução de vários decisores, defesa de preçonegócios parados nas etapas finais e descontos frequentes
Gestão de carteira (farmer, CS)reter e expandir clientes atuaisrenovação e venda adicionalacompanhamento, relacionamento de longo prazo, leitura de riscorenovações perdidas e pouca venda nos clientes da base
Liderança comercialdesenvolver pessoas e garantir a previsãometa do time e evolução individualconversas individuais, leitura de indicadores, decisãometa que depende de dois ou três vendedores
Operações de vendasdados, processo e ferramentasqualidade dos dados do funilmétodo, organização, análiseninguém sabe a taxa de conversão por etapa

A última linha é a mais esquecida no Brasil. Na amostra da RD Station, só 39% das empresas têm uma pessoa ou time dedicado à análise de dados de vendas. Sem essa função, o gestor acumula a análise e perde tempo de desenvolvimento do time. O artigo sobre indicadores de vendas traz o painel mínimo para essa rotina.

Qual é a proporção ideal entre SDRs, vendedores e gestores?#

Não existe proporção ideal universal. Ela depende do tamanho do tíquete, do ciclo de venda e de quanto do funil vem de marketing. Os números da Bridge Group servem como referência, com a ressalva de que descrevem sobretudo empresas de software (83% da amostra) com sede na América do Norte (78%):

2,4
Executivos de vendas para cada SDR, em média, nas 351 empresas B2B do relatório 2025 da Bridge Group. O modelo mais comum é um SDR para dois executivos.

Mais útil que copiar a proporção é calcular a sua a partir do funil.

Exemplo ilustrativo: a meta é fechar 20 contratos por mês. A taxa histórica de fechamento das reuniões qualificadas é de 25%. São necessárias 80 reuniões por mês. Se cada SDR realiza 10 reuniões qualificadas por mês (a mediana da Bridge Group), o time precisa de 8 SDRs. Se cada executivo consegue conduzir bem 30 reuniões por mês, são necessários 3 executivos, com alguma folga. Troque os números pelos do seu funil e a conta mostra onde falta capacidade.

Por que a mesma pessoa rende diferente em cada missão?#

Porque cada missão exige comportamentos diferentes, e a pesquisa confirma que o peso de cada traço varia com a função. Na meta-análise clássica de Barrick e Mount (1991), a conscienciosidade foi o único traço ligado ao desempenho em todas as ocupações estudadas, enquanto a extroversão previu desempenho em funções de muita interação, como vendas e gestão (Universidade de Iowa, 1991).

Estudos mais recentes vão na mesma direção. Uma meta-análise de 150 estudos sobre desempenho de vendedores, publicada em 2024 no Journal of Personal Selling & Sales Management, organizou 19 fatores determinantes em uma escala que vai dos universais aos que só valem em contextos específicos (Kerr e Marcos-Cuevas, Cranfield, 2024). No Brasil, a meta-análise com 10.883 vendedores apontou habilidades, engajamento no trabalho, aptidões, cultura interna e escolhas cognitivas do vendedor entre os principais determinantes do desempenho (ReMark, 2023).

A consequência para a gestão é direta: a composição do time precisa ser lida missão por missão, e não pela média do grupo. Um time com média alta pode ter uma missão inteira descoberta.

Como mapear a composição do time em cinco passos?#

A ferramenta abaixo cabe em uma planilha e pode ser feita em uma tarde.

  1. Liste as missões e a capacidade necessária. Use a conta da seção anterior para saber quantas pessoas cada missão precisa.
  2. Liste as pessoas. Para cada uma: função atual, resultado dos últimos seis meses e tempo de casa.
  3. Marque a aderência de cada pessoa a cada missão. Alta, média ou baixa, com base em evidências: resultado na tarefa, observação do gestor e avaliação comportamental. Evite marcar pela simpatia.
  4. Procure concentração e dependência. Quantas pessoas têm aderência alta em cada missão? Que parte da receita vem das duas pessoas de melhor resultado?
  5. Decida a ação. Para cada lacuna: realocar alguém, desenvolver quem já está ou contratar.

Exemplo ilustrativo de mapa preenchido (time de seis pessoas):

PessoaFunção atualProspecçãoFechamentoCarteiraLiderança
Anaexecutiva de vendasbaixaaltaaltamédia
Brunoexecutivo de vendasbaixamédiaaltabaixa
Carlaexecutiva de vendasmédiaaltamédiaalta
Diegoexecutivo de vendasbaixamédiaaltabaixa
ElisaSDRaltabaixamédiabaixa
Fábiogestor comercialmédiaaltamédiaalta

Leitura do exemplo: quatro pessoas têm aderência alta à carteira e só uma à prospecção. O time fecha bem o que chega, mas depende de uma única SDR para gerar oportunidades. Contratar mais um executivo de vendas ampliaria o mesmo padrão. A decisão coerente é reforçar a prospecção e avaliar se Bruno ou Diego renderiam mais cuidando da base de clientes, liberando os demais para fechamento. Carla aparece como possível sucessora na liderança.

Quando um time parecido demais vira risco?#

Quando a estratégia exige algo que quase ninguém no time faz bem. Times homogêneos costumam se formar sem que ninguém perceba: o gestor contrata quem se parece com quem já deu certo, e o perfil se repete.

Três sinais indicam esse risco:

O equilíbrio não é diversidade por princípio. É cobertura das missões que a estratégia exige.

Antes de contratar: realocar, desenvolver ou abrir vaga?#

SituaçãoEvidência que confirmaDecisão mais provável
Pessoa com resultado fraco em uma missão e boa aderência a outrabom desempenho em tarefas da outra missão, avaliação comportamentalrealocar, com metas claras para a transição
Pessoa com aderência à missão e resultado abaixo do esperadolacunas de técnica, produto ou processodesenvolver com acompanhamento individual
Missão sem ninguém com aderência altamapa do time e gargalo no funilcontratar para essa missão
Capacidade insuficiente com perfis certosconta do funil mostra falta de horascontratar mais do mesmo perfil

Realocar exige cuidado: defina prazo, metas para o período de transição e acompanhamento próximo. Para quem fica e precisa evoluir, o artigo sobre coaching de vendas traz o roteiro de conversa individual. Quando a decisão é abrir vaga, o guia de recrutamento e seleção de vendedores e o artigo sobre como contratar SDR ajudam a preencher a lacuna com critério.

Como a composição do time afeta a previsão de vendas?#

Quanto mais o resultado depende de poucas pessoas, mais frágil é a previsão. A saída ou o mês ruim de um único vendedor muda o número do trimestre. A Gallup estima que o gestor responde por pelo menos 70% da variação no engajamento das equipes (Gallup, 2015), o que torna a liderança uma das posições mais sensíveis do mapa.

A rotatividade agrava o problema. Times de vendas no Brasil tiveram rotatividade média de 18% em 12 meses, segundo a Salesforce (IT Forum, 2024). Cada saída reabre a pergunta sobre a composição. Por isso o mapa deve ser revisto a cada trimestre e sempre que alguém entra ou sai.

Onde o diagnóstico comportamental entra no mapa do time?#

No passo 3, o de marcar a aderência de cada pessoa a cada missão. É o passo em que a percepção do gestor mais erra, porque mistura simpatia, tempo de casa e resultado recente.

O SPI, framework psicométrico criado por Rafael Peretti e aplicado em mais de 6.000 profissionais, lê o perfil comportamental de cada pessoa em 9 arquétipos organizados em 3 centros (Instintivo, Emocional e Mental). Além do laudo individual, entrega a visão do time: a aderência de cada pessoa à função (prospecção, fechamento, gestão de contas, liderança) e as lacunas do grupo. Complementa os indicadores e a visão do gestor; não os substitui. O laudo de exemplo mostra como essa leitura chega ao gestor.

Se você quer ver o mapa do seu time antes de abrir a próxima vaga, fale com um especialista.

Ao mapear o time, é comum descobrir alguém bom no lugar errado: veja como identificar um vendedor na função errada.

Fontes#

Perguntas frequentes

O que analisar na composição de uma equipe comercial?

Se cada missão (prospecção, fechamento, gestão de carteira e liderança) tem responsável, capacidade suficiente para a meta e pessoas com aderência ao que ela exige. Vale olhar também quanto do resultado depende de poucas pessoas.

Qual a proporção ideal entre SDR e vendedor?

Não existe proporção universal. Na Bridge Group 2025, com 351 empresas B2B, a maioria da América do Norte, a média foi de 2,4 executivos por SDR. O mais seguro é calcular a partir do seu funil: meta, taxa de fechamento e quantas reuniões cada pessoa consegue gerar ou conduzir.

Todos os vendedores devem ter perfis parecidos?

Não. Missões diferentes exigem comportamentos diferentes. Um time muito homogêneo costuma ser forte em uma etapa do funil e frágil em outra.

Vale mudar um vendedor de função?

Vale quando há evidência de que outra missão combina melhor com o jeito de a pessoa trabalhar. A mudança deve ter prazo, metas para a transição e acompanhamento próximo do gestor.

Com que frequência revisar a composição do time?

A cada trimestre e sempre que alguém entra ou sai. Mudanças de estratégia, como entrar em um mercado novo, também pedem revisão antes de abrir vagas.

Rafael Peretti
Criador do framework SPI, com mais de 6.000 profissionais avaliados

Criador do SPI, framework psicométrico para vendas B2B, e CEO da SPI Tools. Atua na estruturação de operações comerciais consultivas e no diagnóstico comportamental de times de vendas.

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